aí vai um reciclator tabajara, mas não coloco data em meus poemas vcs podem pensar que ele foi escrito ontem mesmo...
HILDA
Na sala, o poema se
desfaz em meneios de
finas texturas
Refaz-se na música
que ondula nas saias
E dissipa-se em névoas
de rosálidos olores.
No quarto, assume
a febril intermitência do coito
A voraz ferocidade do açoite
O festim estrondoso do arroto
O langor obtuso da noite.
O poema se deita.
O poema se adormece.
E o fraco poeta
habita, nu,
um corredor de mágoas.
Incapaz de, como
Hilda, ser
verbo em sangue
e volúpia
Escrito por RENAN BARBOSA às 09h05
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Enviei esta crônica para o Jornal da Paraíba mas não sei se será publicada...
SOBRE AS MOLÉSTIAS QUE NOS ATORMENTAM OU DE COMO SE PODE CURAR A GRIPE DO FRANGO
Morava eu em Ribeirão Preto nos últimos 12 anos onde, por saudade da velha Campina, resgatava algumas pérolas do nordestinês nos proseios com os amigos paulistas. E além dos ‘oxente’, ‘vixi’, ‘oxe’ e outras expressões tão caras a um nordestino auto-exilado, surgia inevitavelmente o ‘tá com a mulesta!’ ou o ‘tá com a bixiga!’. O que, por associação livre, me levava a descrever-lhes algumas entidades nosológicas nomeadas popularmente em nossa região. Prosseguindo, relatava a uma platéia entre incrédula e desconfiada que havia, por exemplo, a “mulesta dos cachorro” que nomeava a Hidrofobia ou raiva e a “bixiga lixa” que, dizia-se, era o nome vulgar da extinta doença varíola. Afora a “mulesta dos pinto”, eu continuava a instruí-los e nesse ponto eles faziam uma careta de assombro e nojo. “Calma! Não há nada de imoral nisso. ‘Pinto’ para nós é o filhote da galinha” - eu os tranqüilizava. “Certamente”, continuava minha explanação, “a mulesta dos pinto não é nenhuma doença sexualmente transmissível, mas deve ser o que nós chamamos de gogo, que é quando uma galinha fica gripada”. “Você convive demais com seus pacientes” - exclamavam. “Desde quando galinha tem gripe?” Era a minha vez de ficar indignado, frente àquela explícita demonstração de ignorância: “Eu asseguro! Quando alguém está gripado, com coriza, costumamos brincar: ‘tá com gogo’. Que é a gosma que a galinha expele quando pega gripe. E vi isso com meus próprios olhos, no galinheiro que tínhamos na nossa casa-chácara lá no bairro de Bodocongó. O tratamento para galinha com gogo consistia em administrar Melhoral® infantil diluído no bico da infeliz por alguns dias, em horários regulares. Se ainda assim o animal definhava e morria, era imediatamente descartado sem consumo” - eu arrematava, nesta aula que mais traía o meu desconhecimento nas reentrâncias e significâncias de nossas expressões do que propriamente me fazia douto aos olhos dos amigos. Estes riam ainda mais incrédulos do que antes, e convictos de que aves não ficavam gripadas.
O tempo passou. Quando finalmente a gripe do frango ganhou a mídia, por ceifar a vida de aves e humanos, eu me senti tristemente vingado. E me remeti aos mesmos ouvintes, para a pergunta redentora: “Viram? Agora acreditam que galinhas também ficam gripadas?”...
Moral da história: se o mal que se iniciou lá na Ásia tiver o mesmo quadro clínico, evolução e prognóstico do “gogo” de nossas galinhas de capoeira, caberia especular: se antes o Melhoral® podia curar alguns desses frangos adoecidos, haveria esperança para os frangos do mundo além da incineração? Seria necessária uma distribuição preventiva dessa medicação para os galináceos do planeta? Ou será que não há remédio e o inferno das aves é mesmo aqui?
Posso lhes garantir que não deliro, antes que alguns me recomendem uma internação breve (felizmente loucura não se pega por contágio). Nem recebo verba do fabricante para fazer propaganda do uso do tal medicamento. São apenas divagações da mente inquieta de um contumaz apreciador de peitos de frango.
Ano passado, deixei para trás a cultura country de Ribeirão Preto e mudei para São Paulo, o curral seguro das almas vaqueiras e não vaqueiras do Nordeste. Não quero me perder do meu nordestinês, mas preciso usá-lo com adequação, sabedoria e autoridade. Mais do que aspirar a respostas científicas, pensei que o momento é oportuno para finalmente descobrir o que é “bixiga taboca”, “gota serena”, “mulesta dos pinto” e tantas outras patologias que o caboclo nordestino nomeou.
Agradeço a quem se interessar por essas questões mais epistemológicas que etimológicas. Mas, por favor, antes que eu ganhe o Nobel de Medicina, por ter descoberto a cura da gripe do frango (porque aí vou ficar meio “amostrado”): Melhoral infantil neles!! Ou o pinto melhora... ou morre!
Escrito por RENAN BARBOSA às 08h51
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A MALDIÇÃO DE SANTIAGO NAZARIAN/WALESKA BARBOSA
BEM, NO PRIMEIRO TEXTO DESSE BLOG, QUE NÃO CONSEGUI SALVAR, FALAVA EU QUE FORA INSPIRADO A CRIÁ-LO A PARTIR DOS ENCANTADORES BLOGS DE SANTIAGO NAZARIAN E WALESKA (MINHA PRÓPRIA IRMÃ). AQUELE UM ESCRITOR JOVEM E TALENTOSO E QUE WAL POR ACASO CONHECEU AQUI EM SAMPA, RECENTEMENTE. FIQUEI COM VONTADE DE ACIONAR CELINA, AMIGA DE WALESKA (UM ELO ENTRE NÓS LEITORES COMUNS E SANTIAGO), PARA INTERMEDIAR UM ENCONTRO, MAS ENTRE O MEDO E O DESEJO FUI ADIANDO ESSE PROJETO DE TENTAR ACESSÁ-LO.
INEXPLICAVELMENTE O TEXTO NÃO FOI SALVO... VAI SABER POR QUÊ...
FIZ UM OUTRO, CONTANDO A MESMA HISTÓRIA DO GENESIS DO BLOG, MAS ELE TAMBÉM NÃO SE SALVOU! E HAVIA AINDA UM POEMA ANTIGO QUE ACRESCENTEI, PUTA TRABALHO DE FORMATAÇÃO PERDIDO!
FUI OBRIGADO A PENSAR QUE A MENÇÃO À SANTIAGO OU À WALESKA ESTAVA FUNCIONANDO COMO UMA VERDADEIRA URUCUBACA À PUBLICAÇÃO DO MEU TEXTO PELO "DEUS DOS BLOGS". E CONCLUÍ QUE NÃO DEVERIA MENCIONÁ-LOS. ENTRETANTO, TEIMOSO QUE SOU, E ÀS VEZES UM TANTO CÉTICO, ESTOU AQUI MAIS UMA VEZ CONTANDO A MESMA HISTÓRIA. PORQUE É IMPORTANTE PRA MIM...
JÁ DEVOREI O BLOG DE SANTIAGO ("TAL CAETANO A LEONARDO DE CAPRIO") E TENHO SAUDADE DO JOVEM ESCRITOR QUE NÃO ME TORNEI... TAMBÉM LI MUITO DO BLOG DE WALESKA. ELA SABE QUE NÃO CONSIGO LER MUITO NA TELA, SÓ NO PAPEL, E NÃO TENHO PACIÊNCIA PRA ESSAS COISAS DO MUNDO VIRTUAL. PREFIRO OUVIR MEUS CDs. SOU UM CONSERVADOR, O QUE LAMENTO...
FALTAVA LER A OBRA IMPRESSA DO NAZARIAN. HOJE, DECIDIDO, ENTREI NA LIVRARIA CULTURA E SAÍ DE LÁ COM "FERIADO DE MIM MESMO". PRETENDO COMEÇAR AINDA HOJE, OU AMANHÃ, FERIADO AQUI EM SAMPA. ELE POSA PRA FOTO NA ORELHA DO LIVRO. JÁ DISSE EM SEU BLOG QUE TEM NECESSIDADE DE SER AMADO. ENFIM, MESMO ESCRITORES E ARTISTAS ESTRANHOS TALVEZ QUEIRAM SER FELIZES E ACOLHIDOS... COMO TODO NARCISO(?).
EU CONTINUO NA BUSCA DE SENTIMENTOS E LUGARES COMUNS E QUALQUER GOTA A MAIS DE MELANCOLIA SERIA VENENO.
MAS, SE NÃO ME TORNEI ESCRITOR, TAMBÉM NÃO SEI SE AINDA VIVE EM MIM O CANTOR QUE UM DIA SONHOU QUE TERIA OS PALCOS PARA SI E PARA SEMPRE. PENA. NÃO QUERO RETOMAR MINHA CARREIRA SE TIVER QUE SACRIFICAR AS CONQUISTAS “BANAIS” DA VIDA PESSOAL. QUERO COLO, DINHEIRO, AMOR, SEXO SEGURO, ALEGRIAS FUGAZES E PAZ, MUITA PAZ... SERÁ QUE SÃO DESEJOS MUITO AMBICIOSOS?
CAZUZA, CÁSSIA ELLER, CARTOLA, MEUS GRANDES ÍDOLOS MORTOS, MORRERAM DE VIDA E TIVERAM CORAGEM DE IR AONDE POUCOS SE AVENTURAM... MAS VALERÁ A PENA? PREFIRO SER ARTISTA NO CONVÍVIO NOSSO DE CADA DIA. ANÔNIMO, SEM IDENTIDADE NESTA CIDADE FANTASMA HABITADA POR MILHÕES.
MAS POR ORA CHEGA, JÁ MISTURO CHICLETE COM BANANA. VOU TOMAR UM CHÁ VERDE COM BOLO DE PAPAYA E MINHA PÍLULA DE LITERATURA. BOA NOITE!
P.S.: SE ESTE TEXTO ESTIVER NO BLOG É PORQUE A MALDIÇÃO DE SANTIAGO/WALESKA NUNCA EXISTIU, OU OS DEUSES RESOLVERAM VELAR POR MIM...
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 23h30
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