O quereres


 

DE CIGARRAS E PEDRAS...

Olá. Devo confessar que me prendo e me repreeendo pra não atulhar esse blog com mais textos, idéias, sentires...Tanta coisa guardada na gaveta, dá vontade de disponibilizar tudo: poemas, músicas, histórias. Sou prolixo, tenho noção de que meus escritos são longos, cansativos. Minha sobrinha de 15 anos entrou no blog, por pressão minha, e disse que era tudo muito grande, "não ia dar pra encarar"... rs...

Nerd, principalmente para assuntos da Net, não tenho as músicas do meu cd em mp3, mas estou esperando a assessoria da amiga e poetisa  Cassandra Véras, que se dipôs a ser o meu tuturial, pra resolver isso. Fotos? Estão nos arquivos de outras pessoas. Não tenho nada digitalizado.

Vou deixar aqui um poema, que inclusive já declamei num show, da escritora Hilda Hilst. Adoro! Ela é um dos meus ideais de ego da poesia...

 

De cigarras e pedras, querem nascer palavras.

Mas o poeta mora

A sós num corredor de luas, uma casa de águas.

De mapas-múndi, de atalhos, querem nascer viagens.

Mas o poeta habita

O campo de estalagens da loucura.

 

Da carne de mulheres, querem nascer os homens.

E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome.

 



Escrito por RENAN BARBOSA às 12h31
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                                                             A PAIXÃO SEGUNDO R.B.

Sempre tive paixão pelo palco. De teatro. Encantavam-me suas possibilidades. Uma caixa mágica onde tudo pode acontecer, na qual tudo cabe: histórias, estórias, arte, música, luz, sombras, fantasias, fantasmagorias...                

Como um mesmo espaço pode servir a propósitos e propostas tão diversas, transformando-se a cada espetáculo, fazendo-nos acreditar em tudo que nos é mostrado ali, vivo, em movimento, fluindo?...

Desde que assisti a uma peça na qual uma personagem tomava banho, em pé, no palco, com água caindo-lhe do alto (terá sido num espetáculo de Moncho Rodriguez?), e depois colecionando dezenas de outras cenas: a luz e a beleza dos shows de Ney Matogrosso, as danças verticais e subversivas de Débora Colker, a energia e alegria inigualáveis dos shows de Elba Ramalho, a força dramática e a perfeição da performance de Maria Bethânia, um balanço a fazer voar uma personagem, num Thecov onde atuou Tônia Carrero, os concertos da Sinfônica de Ribeirão Preto, os modernos bailados do Stagium, os jovens dançarinos de Ivaldo Bertazzo, os shows de música todos que tive a sorte de ver, só foi aumentando o meu assombro e o meu deslumbramento com as artes do palco. Ali o artista exposto, aberto, sangrando de arte, paixão, vida, beleza, entrega. Fazendo. No ato. Sem possibilidade de retorno. Trocando, ansiando pelo som mágico dos aplausos ao final. De lá a platéia alimentada, fascinada, crescendo, se emocionando, acreditando, explodindo de gozo, dor, felicidade...

Ouso dizer que a minha ligação com a música se dá porque ela pode ser exercida num palco, que considero um local sagrado, único, que mesmo nestas escrevinhações não consigo descrever nem traduzir...Por isso sempre evitei cantar em outros lugares, como espaços abertos, bares etc. Quem vai ao teatro, ou às casas de concertos, deseja estar ali, escolheu aquele espetáculo, precisa do artista para decifrá-lo, inebriá-lo, desvendá-lo, devorá-lo, embevecê-lo, encantá-lo...

Que grande máquina de produzir sonhos e contar histórias é o palco. Que grande gerador de emoções!

Apesar do palco servir tão bem a eventos musicais, para mim é o teatro que o representa e o define. O que seria do teatro sem o palco? O que seria de nós sem o teatro? Tenho uma admiração profunda pelo ofício de representar. Não é toa que antes da "carreira solo" participei de um coro cênico, que montava operetas de vanguarda. E neste coro, inclusive, subi ao palco seminu (eu, o mais tímido dos mortais!), entre outras ousadias, e pude me envolver com a música para além do simples ato de cantar...

Também ficaram na memória as pecinhas improvisadas  nos tempos de colégio,  sem nenhum preparo técnico, mas que me deixaram esse doce sabor de viver personagens e compartilhá-los com a curiosidade e o calor da platéia. Mas sempre tive medo de aprofundar esta minha ligação com o teatro. Além do MEDO MAIOR, já mencionado em outro texto: descobrir a ausência de talento. E sempre a preocupação com a opinião alheia. Aos poucos percebi que os preconceitos que eu atribuía aos outros eram meus, na verdade. Mas o teatro requer tanta entrega, loucura, paixão, desvelo, que nunca achei que tivesse condições de fazê-lo. Penso que ir fundo em algumas coisas sempre me foi dificil (vide meus avanços-retrações no mundo da música...). Sinto que sempre me considerei mais ator do que cantor, embora não me considerasse um ator. Será que dá pra entender estas minhas incongruências, caríssimo e virtualmente virtual leitor?

Aí veio a Síndrome da Terceira Idade: depois dos trinta tudo começa a descolorir, descolar, despencar, inclusive os sonhos e as crenças... E agora, alguns anos antes da quarta, que se afigura como algo aniquilador, eis que resolvi enfrentar os medos, preconceitos, atrasos e verificar qual é afinal a medida da minha atração pelo palco. No caminho para o trabalho, vislumbrei uma escola, seu letreiro me atraiu, suas credenciais mais ainda. E finalmente aí vou eu: matriculado no curso livre de teatro na escola Nilton Travesso. Nada demais, um simples curso introdutório, mas tem esse significado de coragem, descoberta, sonho, que tentei explicitar acima. Começa na próxima semana. Depois conto como foi, como será, como está sendo.

Sair do desejo para a prática, coisa tão longe de mim quanto a cabeleira abundante e a magreza da adolescência, representa uma grande conquista. O mundo da cultura me fascina, desde sempre e até hoje. Vamos esperar pelo próximo ato.


Renan




Escrito por RENAN BARBOSA às 19h04
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A(S) PERSONA(S) DO ARTISTA


Acho que tudo que escrevo é autobiográfico, num certo sentido. Um dia li ou vi Caetano dizendo que ele é assim, toda música dele tem conteúdos pessoais, coisas que aconteceram, diferente de Chico, que diz que inventa as histórias de suas músicas, o que seus personagens passam.

Também creio que sempre estive cercado, atormentado, melhor dizendo, por um ou dois temas centrais, básicos, que perpassam minha trajetória de vida, meus poemas, contos, crônicas, minha história como cantor. Que é justamente (não vou contar tudo... senão perde o mistério), o que faz de alguém um artista, como descobrir se a sua obra tem por trás talento, o que leva alguém a fazer ou não fazer sucesso, como não se misturar com personagens que os outros vão criando de você. Como não deixar que o personagem (inclusive a persona de artista) tome conta de si?...

Será que estou sendo claro? Vejo tanta gente de talento que tenta, tenta e não sai do lugar. Vejo tanta gente sem talento que “se acha” e talvez por acreditar tanto, acaba se saindo bem. Vejo muitas vezes o artista sendo enxergado como um produto, um semeador de sonhos, sei lá... Houve uma época na qual, quando ia de Ribeirão Preto à Campina Grande, de férias, as pessoas sempre me perguntavam sobre o Cd, os shows, se eu iria cantar lá. Ninguém queria saber se eu estava bem, tranqüilo, feliz, namorando etc., etc., etc. Pensei: “alguma coisa está fora da ordem. Eu e o cantor somos a mesma pessoa, mas ao mesmo tempo o artista é outra história, é só uma parte de mim. Quem deseja saber de mim por dentro e não somente o que tenho para mostrar? Será que vou ser visto como um produto, daqui em diante?” Isso me angustiou e com certeza me fez retrair um pouco na minha ligação com a música. Cantei o suficiente, embora não tenha fama nenhuma, pra ter sido abordado, na rua, em Campina e em Ribeirão, por pessoas que eu não conhecia e que elogiaram o meu trabalho. Isso me ajudou a ter noção de que podia haver alguma qualidade no meu trabalho. Mas é apavorante! Vivi uma mini-versão de “se alguém olha quando vc passa vc logo acha: a vida voltou ao normal; se ninguém olha quando vc passa, vc logo pensa: eu tô carente, não sou manchete popular”... Essa experiência foi reforçada pelas entrevistas que dei, em Ribeirão, como psiquiatra, sobre álcool e drogas. Durante um ano fui a bola da vez da Globo local (quando eles gostam de um entrevistado chamam sempre o mesmo...) para programas sobre o tema. E aí, dia seguinte, no café do shopping, no táxi, no ambulatório, dias depois, alguém me parava pra dizer que assistira à entrevista. Nunca pensei que um programa passado às 8 da manhã do sábado pudesse ter tantos espectadores. E eu criava uma certa paranóia. Tipo: “quem será daqui, desse restaurante, que viu aquela entrevista? E se alguém viu, será que me reconheceu?” E ao mesmo tempo, ser reconhecido traz um sentimento de invasão, de perda de privacidade, intenso e apavorante, pelo menos pra mim. É algo que caminha na linha do “medo-desejo”, coisa tão cara a uma alma barroca como eu. O artista, via-de-regra, quer aplauso, sucesso, fama, reconhecimento. Se isso vem, por que sentir-se ameaçado? Claro, não cheguei a ter nenhuma dessas coisas, vivi isso num universo microscópico e ainda assim não foi bom...

Quem conhece sabe que ainda tenho que lidar com toda a notoriedade do sobrenome “Barbosa” no âmbito de Campina Grande, família graças a Deus atirada ao limbo, em fase de afastamento crescente da política e cada vez menos conhecida, assim espero!

Até hoje preciso de uma validação das minhas facetas artísticas. Escrever na adolescência era uma necessidade e não fazia diferença ter talento, embora eu tolamente acreditasse que possuía. Cantar é algo visceral, como respirar, mas também nunca soube se tinha talento. Os amigos e alguns irmãos apoiaram, mas não dá pra confiar. Aos irmãos e amigos a gente dá força, mesmo em sonhos inúteis às vezes... Então precisei e ainda preciso desesperadamente da resposta do público. Mas não quero me perder do anonimato... No palco a entrega total, o brilho, fora dele só desejo passar despercebido...(ou não...rs). Embora não seja fácil num momento estar cercado de gente, comovido por aplausos, e dez minutos depois pegar o táxi sozinho de volta pra casa, com a roupa do show na mochila, e ir dormir sozinho. Se confunde o personagem com a realidade, neguinho dança. Não se pode levar os aplausos pra casa, nem a platéia... Mas Narciso e leonino que sou, sempre tive medo de enlouquecer de narcisismo, no sentido metafórico do termo. Isso foi tema de numerosas sessões de análise ao longo dos anos... Já viram algo mais pedante e enjoativo do que a arrogância de Caetano? (Ainda assim, ele é o meu artista preferido...)

Bem, continuo esse papo depois, que isso dá pano pras mangas!



Escrito por RENAN BARBOSA às 10h07
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                          FERIADO


QUASE PIREI COM O LIVRO “FERIADO DE MIM MESMO”. Usa uma linguagem absolutamente coloquial, é até bem humorado às vezes, mas no final vai num crescendo de loucura e violência, e certo suspense, aterrorizadores. Tive pesadelos, fiquei nauseado com umas cenas meio cruentas (não posso com sangue, nem na literatura), um peso, uma densidade que tomam a alma da gente. Ser psiquiatra nem ajudou, fui impactado como qualquer leigo seria. Mas felizmente já passou, estou curado.

Vcs (supostos leitores) vão ver que nos meus textos é possível encontrar erros de português, sempre fui péssimo em gramática apesar de gostar de escrever, e não conheço regra de nada, nem de crase. Além disso, o passar do tempo e a ocupação com a sobrevivência vão emburrecendo a gente, diminuindo nosso tempo de leitura, gastando os neurônios e a memória... Mas tive a impressão de ter enxergado uns dois ou três erros gramaticais no livro, como “houveram” onde deveria estar “houve”. E tem uma palavra pregada em outra, num erro de digitação que não deveria ter escapado ao revisor. Enfim, não tira o mérito do livro, isso se o que eu enxerguei como erro estiver errado mesmo.

Já comprei outro livro dele, “A morte sem nome”, mas ainda não comecei. Depois comento...

Como é difícil pensar em algum assunto pra colocar no blog. AINDA MAIS QUANDO É UM BLOG QUE NÃO SE SABE SE ESTÁ SENDO VISITADO E QUE NINGUÉM COMENTOU AINDA. Mas o ofício de quem escreve é sempre solitário, né? Paciência... eu volto!!! Logo!



Escrito por RENAN BARBOSA às 09h47
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