“SER OU NÃO SER”
Sabe aquele velho clichê de que arte é mais transpiração do que inspiração?
Concordo plenamente. Tive a primeira semana do curso livre de teatro. Dividido em aulas de interpretação, corpo e voz. Duas vezes por semana, à noite. Cara, muito trabalho, muita pauleira, tudo centrado em exercícios corporais que não deixam nada a dever a nenhuma sessão de aeróbica. E pra um velho, como eu, totalmente quebrantado pelos rigores do tempo, não foi fácil. E como acordar no dia seguinte, sem as juntas obedecerem, o corpo sem “sustança”, pra ir à periferia trabalhar ou ir ao plantão? E acima de tudo, a sensação de que apesar de ser um curso livre, muita responsabilidade será cobrada, muito envolvimento será necessário se eu quiser fazer a sério. E quero! E que tenro engano pensar que inclinação, vontade, mínimo talento (talvez) nos deixam prontos, sabedores, respostas e atos na ponta da língua e do corpo. Não sei nada, tenho muito a aprender, a conhecer, aprofundar...
A turma parece bem legal. São 15 pessoas, das mais variadas idades e áreas; cada um está lá por um motivo diferente. Uns querem apenas perder a timidez. O meu é maior, mais amplo, mais recôndito. Vamos ver que bicho dá. Merda pra mim, né? Vou contando das descobertas, sustos, aprendizados, daqui pra frente. Mas estou empenhado. E querendo muito que dê certo. Acho que isso já é bom. A rotina anda tão dura, tão estafante, tão pouco gratificante, que sonhar um pouco no teatro com certeza só fará bem. Pena que é um sonho construído com muito suor e dores diversas. Mas como disse um personagem de um filme péssimo que vi ontem: “na vida adulta a palavra fácil não existe”...
Renan
Escrito por RENAN BARBOSA às 20h51
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RECICLATOR TABAJARA II
O REVERSO DO VERSO*
Não creio que já
Não saiba tudo
Agora que habito
Um céu sem muros
E sem espelhos.
Mas não persigo
A verdade
E a mentira
Se despregou
Da minha pele
Deixando-me só,
E oco.
Minha voz apenas
Vez em quando
Ecoa as canções
Escondidas por
Trás da dor,
Escondida atrás
Do sorriso.
Já nem sei
Do que rio.
Findaram-se
As crenças.
Árida metamoforse
Engendra-se dos
Meus dedos
Da boca escorre
Um caudoloso
Fio de pedras
Arrasto-me com
A languidez de um réptil
Atado à fibra
Dos martírios.
Beija-me a face
O pó do silêncio
Deixando na
Lágrima não nascida
Pegadas de sangue
Que confundem
O olhar e entristecem
As miragens.
Construo o reverso
Dos versos alheios.
rEnAn
* discretamente inspirado na poética de Manoel de Barros
Escrito por RENAN BARBOSA às 21h10
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DENTADA
(Cassandra Véras)
Você não liga
você não liga
o telefone não toca
Você não liga
que eu chore.
Você não liga
que eu me desmantele
e que tenha que guardar
até mesmo o grito de alegria
quando você me morde.
Escrito por RENAN BARBOSA às 20h38
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QUEM TEM MEDO DE CASSANDRA VÉRAS?
Bem, pra quem leu um certo comentário aqui do blog, acho que se faz necessário que eu explique quem é Casandra, Véras.
Cassandra Véras é onça do sertão, arisca, sabe se esconder mesmo na paisagem aberta, deserta, árida. Sabe dar o bote certeiro e o faz com palavras, dores, amores. Ela diz que sou espada de samurai. Ela é navalha na carne: ágil, certeira, abre sulcos na alma. Ela finge ter medo de mim, mas eu me acovardo diante de sua sagacidade e da sua língua que fere, desespera, não espera que a gente cubra a ferida ou se defenda. Ela é poetisa de muitos poemas. Ela compôs centenas de canções, várias delas gravadas por cantores paraibanos, inclusive eu... Diz que já escreveu tudo, compôs tudo, que nada mais será dito nem deve ser perguntado. Mas é mentira. É que ela se resguarda, se refugia, espia o mundo de sua janela virtual e finge-se de eremita urbana. Ela é pura modernidade. Afinal, quem pensaria numa historiadora escrevendo doutorado sobre “Tecnologia do Emprego na era da Internet”?(algo assim...)
Uma vez, num show, declamei um poema dela, “Revertério”, que é uma declaração de amor, ou quase. Longo, uns 20 minutos, áspero, vertiginoso, forte! No final, tenho gravado, como termina abruptamente, a platéia precisou de uma latência razoável de tempo pra se recuperar de tudo aquilo que ouvira. Os aplausos vieram abundantes, mas com atraso, retardados, como se tomar fôlego tivesse sido “desesperadamente necessário”... Tal é a força de sua palavra.
Sim, morro de medo dela. Ela não presta como amiga, mas eu a perdôo invariavelmente. Ela inventa histórias sobre mim e acredita. Ela se desfaz em ironias e não dá o ar da graça quando mais precisamos. Ou não dava, que agora anda afável como os chumaços do algodão colorido da paraíba. Ela diz que sou chique, sofisticado, eu que vim do povo, trabalho pra ele (Valei-me, meu Santo SUS!) e não tenho sequer microondas... Mas ela conhece algumas das minhas verdades, e nem sei se as respeita. Mas como esperar e conquistar o respeito da onça?
Isso é um pouco de Casandra Véras. Mais, perguntem a ela, entrem em seu blog, pesquisem seus poemas...escutem suas canções.
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 20h37
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Como todo mundo, às vezes cometo erros, minto, meto os pés pelas mãos e faço inconfidências. E é exatamente uma desta coisas que vou exercitar agora. Recebi um e-mail, de um amigo querido de Ribeirão, comentando a respeito do blog mas deixando claro que não queria publicidade... Mas, “vaidade das vaidades” e nestes tempos de ausência de privacidade, resolvi traí-lo e publicar assim mesmo, porque fiquei extremamente gratificado e comovido. Espero que Ricardo me perdoe, mas não tenho outra saída, preciso dividir seu bilhete com os leitores... Aí vai:
“VOCÊ ACABOU DE CONQUISTAR UM FREQUENTADOR ASSÍDUO DE SEU BLOG, NÃO QUIS DEIXAR COMENTÁRIOS POIS NÃO QUERO FAZER PÚBLICA MINHA OPINIÃO , PREFIRO ENDEREÇÁ-LA DIRETAMENTE A QUEM INTERESSA DE FATO E DE DIREITO, OU SEJA, VOCÊ. ESTOU SURPRESO COM AS SUAS HABILIDADES COM A PENA(OU COM AS TECLAS, JÁ QUE VOCÊ, APESAR DE SER CLÁSSICO TEM UM PÉ NO MODERNO), RECONHECI VÁRIOS AUTORES NAS SUAS NARRATIVAS, MAS MACHADO DE ASSIS E JEAN PAUL SARTRE SÃO INFLUÊNCIAS EVIDENTES NA SUA ESCRITA. NÃO QUERO DIZER COM ISSO QUE SE TRATA DE IMITAÇÃO, MAS DE IDENTIFICAÇÃO. CREIO QUE VOCÊ DEVERIA EXPLORAR MAIS ESSES SEUS TANTOS TALENTOS E COLOCAR EM PRÁTICA O SONHO QUE TODOS TEMOS DE ESCREVER UM LIVRO MAS QUE POUCOS TÊM A CAPACIDADE OU O DOM NECESSÁRIO".
Escrito por RENAN BARBOSA às 17h24
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