O quereres


 A TRAJETÓRIA DO DISCURSO

 

 

Eu mesmo me condenei

ao exílio do silêncio.

Para fazer o caminho

de volta, pressinto dores:

o ventre exposto,

aberto aos rasgos nas

pedras por onde

deverei me arrastar,

deixando escapar os

humores, a gordura

tola dos conhecimentos

surpéfluos, riachos

de sangue e líquen

de onde quase

nada mais brotará.

E ao fim,

ergue-me-ei?

Refeito, traduzido,

perfeito – espalhando

palavras no ar

como um louco

Atira garrafas ao mar?

Vigoroso e sábio,

ordenarei a construção do

diálogo?

 

 

                                                     Renan

 



Escrito por RENAN BARBOSA às 21h03
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                                  INDAGAÇÕES

 

 

 

    1. O AMOR É MASCULINO OU FEMININO?

 

 

    2. “EU SOU NEGUINHA?”

 

 

    3. Aquilo que apenas

    se retém na

    memória - como os

    restos de sonhos,

    antigas aspirações,

    projetos nunca

    executados, não seria

    tão presente quanto o que

    (também matéria-prima da

lembrança) se travestiu

em acontecimento, batalha e ação?

 

 

Renan



Escrito por RENAN BARBOSA às 20h50
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                                                 ANTE-SALA

 

 

O meu tempo de amar

é ilimitado

Mas nele os séculos

viram ausência.

Meus lampejos de gozo

desejam ir além da

casa da fantasia

Mas só alcançaram

a porta de espera.

Onde me chamo,

não ecoa nenhum

rosto.

Onde te busco, não

diviso nem passos,

nem fuga, nem promessa.

O corpo oculto.

A alma anunciada.

Cadê? Virá? Está?

Quem é?

Alto lá!

Estou desa[r]ma(rra)do!

 

 

                           Renan

 

 



Escrito por RENAN BARBOSA às 08h49
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                             Uma rosa para Virgínia

 

Virgínia, canto de

muitos lugares

Doçura temperada

com cravo e canela,

flor sensual orvalhada

de sons

Emanando beleza, calor,

encantamento

Virgínia

Voz de muitos povos

Palmas de braços

acorrentados

Batuques e canções

de lamento

Brotando da terra

aguada com escravidão e

tormentos

Manhã de domingo

Acordando os pés

entristecidos para a

festa do samba

Plantando sonhos

e derramando vida

Pão e leite que saciam

nossa sede de alegria

Virgínia, voz de tantas

épocas

Ritmos ancestrais

Atualizando o futuro

Música que se amplifica

límpida, corajosa,

terna, vibrante

em busca da alma

da poesia

E ela mesma

transformada em

poema, em declaração de

amor, em rubro prazer

Em promessas de felicidade

Como uma Rosa.

 

 

                          Renan



Escrito por RENAN BARBOSA às 08h18
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                                           A LUZ DO DIA NÃO É CONSOLO II

                                                                                                     

                                          

[ O catre ]

de tão solitário

se transformou

em jazigo.

Perdeu-se de

toda verdade

que um dia

- julgava-

seus olhos haviam

encerrado

Cravou as unhas

no reboco inconsistente

da própria mudez

E com o sangue

e a cal moldou

o formato das lágrimas.

Nunca mais chorou.

Fez-se um com

aquelas paredes.

E tapou com

saliva e sêmen

a fresta por

onde o sol

Ainda teimava

em se anunciar.

 

 

Renan

 

 

 



Escrito por RENAN BARBOSA às 07h56
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