INQUÉRITO
Perguntam-me se
não tenho medo de
me ver revelado por
inteiro por trás da
poesia
Se tudo que eu disser
pode ser usado contra mim,
façam bom uso.
Revistem a minha
literatura
Devassem a minha
Existência poética
Descubram espúrios indícios
nas impressões
deixadas nas entrelinhas...
“Estou farto do lirismo comedido”!
Escrevo com dor, e paixão,
e algum desespero.
Não tenho zelo com as
palavras: vomito-as.
Dilacero-me em
verdades que se
ocultam na bruma
dos versos
E que estão aí,
bem à sua frente:
quem tiver olhos
para ver, que leia!
Mas sinta! Sinta a
vida urdindo, agindo,
premeditando o crime
da ficção, esculpindo-se
voluptuosamente no papel.
Sinta enquanto é
tempo.
Enquanto ainda
não me condenaram à
cadeira elétrica da
crítica e do
esquecimento.
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 12h12
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LITERATURA
Desejo deseja coragem
da carne,
atirar-se ao encontro
desse que outra
forma não teria
senão a do desejo.
Desejo não cabe
na mesquinhez de um
catre solitário.
Precisa de quatro
mãos, duas bocas,
pernas escalando
vertiginosas pernas,
e sexo comendo
sexo na sublime
algazarra do sexo.
Desejo não sou
eu.
Desejo é apenas
a caneta que
deseja, deflora
e desespera n(o)
papel.
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 12h00
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O NOVO TESTAMENTO
O dia vai se precipitando
denso,
sobre os meus olhos
(ameaçados)
Que cedem ao cansaço
cinzento das horas
E temem brilhar
resplandecendo alguma
esperança
Mas não estão mortos.
Não se perderam do
desejo irrevogável
de espreitar
a vida.
O novo testamento
que deixo é
este:
que eu não me
perca da vida, na espera.
Que eu não
des(espere):
comunique.
Que eu não
apenas veja:
sinta.
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 11h53
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A VERDADE E O SONHO
Sonho quando o dia
eclode e a noite
recolheu seu tapete
viscoso.
Sonhos na luz são
tão imateriais quanto
seus parceiros das sombras.
Sonho atrelado ao
vigor das urbes ou
à inconsistência dos
desejos, não importa.
Minhas mãos não abrigam o gesto
redentor de escancarar
os olhos entorpecidos
à verdade.
Renan
Escrito por RENAN BARBOSA às 11h46
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