O quereres


     

 

 SÁBADO

 

 

Nas malhas do tecido

Orgânico, excessivas,

As endorfinas me deixam

Louco de tédio e

Preguiça.

Os lençóis suados não

Serviriam (?) para receber

Outro corpo.

Penso em dormir,

Mas ocorre-me que já

Não estou desperto.

Nenhuma voz para

Dividir comigo a

Penumbra artificial

Desse dia.

Redentor seria

Fazer poesia, mas como?

A poesia é ausente.

Foi sempre. Foi-se

Para sempre.

Compraz-me arquitetar,

À caneta – que antiquado!,

Esta literatura medíocre.

Que não é. Não me

Salva. Não me preenche.

Abraço novamente

A ausência e

Retorno placidamente

À cama.

 

 

Renan

 

 

                    

Escrito por RENAN BARBOSA às 16h41
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