Texto psicótico de uma noite de domingo
O que nos separa verdadeiramente da concretização de um sonho? Pilares de mágoas, muros de incertezas, rios de covardia? Por que esperar o inusitado que nunca acontece? Gostei de c.r.a.z.y. não entendi o céu de suely. Achei que não tinha nada no céu de suely. Sendo assim, será que saquei o lance? No meu céu faz tempo que ficou cinzento. Vou ao cinema mais sozinho. Domingo à noite quero matar e morrer, me reescrever, doidice melancólica que me atinge quase sem remédio. Fico parado. Mas não na esquina, que o perigo está em toda parte. Alguém tem o elixir? O êxtase? Me enfio no cinema, droga sublime, dá um barato bom que revigora a alma. Mas, como já escrevi, a arte não cura. O amor cura? O amor tem cura? Faz tempo que não amo nem me sinto amado. Quero mais seduzir? Faz tempo que não tenho platéia. Cantar e seduzir ? Seduzir para encantar? Cantar para encantar? Cantar para seduzir? Seduzir e não amar? seduzir para não amar? “Amar e reamar”? “amar a nossa falta mesma de amor?” eu não presto para o amor. nunca ter as pessoas, apenas fitá-las de longe... meus olhos não possuem mais mistério, as maliciosas e inocentes armadilhas da juventude. A triste beleza dos meus olhos a cão comeu. Cassandra brinca de se esconder comigo. Escreve sem deixar pistas, endereços, apagou os traços de mim. Provoca, manda recados, nem vai ao meu show porque o show foi adiado. Hahahahaha. Preciso comprar o livro novo de Santiago Nazarian e aprender com ele a mastigar humanos. Nem posso, minha ATM está em frangalhos, penso que um dia vou abrir a boca pra cantar e a mandíbula vai desabar no microfone. A platéia em pânico enojado... Dependente de castanhas de caju, tive que renunciar. Só por hoje não como castanhas. E repito isso a cada dia. Irônico: sou médico e não tenho plano de saúde. Nem dinheiro pra consertar a ATM. Morro de medo de usar aparelho. Prefiro que a boca despenque. Vou pagar por isso. Eu sei, talvez não escape de falar como um retardado e ficar com cara de nerd e correr pro banheiro pra ver se a comida grudou nos metais. Diz o ditado: boca falou, cu pagou! Dia desses meu irmão perguntou se eu estava sendo irônico. Minha sobrinha de sete anos, que tudo ouvia em silêncio, arrematou: “ele está sendo sarcástico!”. Tem diferença???? A inocência cruel das criancinhas super-dotadas! Nem tão irônico é o fato de quase não conseguir escrever textos inéditos para o blog. O leitor (mas há um leitor?) não é bobo, não vai ao cinema todo domingo porque na Paraíba não passa quase nada, mas tem mar, brisa, alegria e tapioca. E água de coco. E um sol que nunca descansa. O leitor nem verá c.r.a.z.y. nem o céu de suely. O leitor sabe que escrevi este texto porque as idéias andam ralas, como o caldo de batata do povão. Por falar em sopa, desenvolvi uma técnica de tomar a sopa do restaurante japonês sem engolir os quilos de cebolinhas e cheiros verdes que bóiam ao redor do tofu. Afinal, não curto engolí-los e não dá pra pescar cebolinha com pauzinho. Levo a tijela à boca, tomo a sopa, mas fica tudo lá, todos os temperinhos verdes, e ninguém percebe que estou fazendo a filtragem. Não sou fino mas me faço de. Nem posso mais me fingir de fino que os anos trouxeram uma incômoda barrigunha que alarga a silhueta. Mas voltando à sopa, minha amiga quis pagar pra ver. Eu disse que demonstraria em troca de um sorvete. Neste momento ri do meu ardil, me achei genial: afinal a vida não seria boa sem essas bobagens. Demonstrei o discreto sorver da sopa sem engolir cebolinhas e descolei a sobremesa! E ela ainda teve que me passar umas camisetas em troca da hospedagem, 15 dias sem diarista tornam a vida de um homem só e solteiro um martírio. Hoje nem fui ao ensaio do “cidadão dançante”. odeio faltar a cursos e compromissos, mas chovia, eu estava cansado e desiludido de participar dessa dança de não famosos (só o coreógrafo é mais do que famoso, é genial!). Que falta de talento para o movimento! E que ânimo fraco para os desafios. E dançar de pés descalços acaba com os pobres: ficam sujos, feios e marcados. Por isso não fui ao ensaio mas fui ao podólogo, dei um trato, me senti andando nas nuvens depois. Um mimo de domingo pra quem anda tão à flor da pele que quase não anda, rasteja...
Ainda bem que amanhã é segunda. dá pra acreditar: alguém louvando a chegada da segunda-feira?????
Renan.
Escrito por RENAN BARBOSA às 23h30
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