O quereres


 

rotina ou inércia? variações em torno do nada

As palavras não gotejam sangue

O andar não reproduz as indecisões

O olhar, mesmo triste, não atrai comiserações

O destino, sempre incerto, nem se parece mais uma ameaça

A inércia passeia de mãos dadas com os sonhos intangíveis

Ainda assim, respira-se

Nem adianta dormir

Nem adiantam mensagens instantâneas

A salvação não está ali nem aqui

Escape, sem válvulas, pressão a todo vapor

Nem adianta fingir

Nem a voz amiga e próxima acredita

Nem mesmo se a verdade é dita com meias-verdades

Ainda assim, o feijão digere-se nas tripas embargadas

Nem adianta olhar as calçadas

Cheias de dramas indiferentes e cocô de cachorro

Nem adianta amarrar os cadarços frouxos

A queda é inevitável

E no entanto, como cair sem sair do lugar?

Ainda assim se espera

E toma-se um gole de poesia


Renan






Escrito por RENAN BARBOSA às 16h42
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